O Papa quer acabar com a tradição de fiéis beijarem sua mão?

A freira Maria Concetta Esu, 85, beija a mão do Papa Francisco enquanto ele lhe entrega uma condecoração de honra da Igreja durante um encontro semanal na Praça de São Pedro, no Vaticano, nesta quarta (27). A freira ajudou a trazer ao mundo mais de 3 mil crianças durante 60 anos de missões na África. O Papa a conheceu durante uma viagem à República Central Africana. A freira Maria Concetta Esu, 85, beija a mão do Papa Francisco enquanto ele lhe entrega uma condecoração de honra da Igreja durante um encontro semanal na Praça de São Pedro, no Vaticano, nesta quarta (27). A freira ajudou a trazer ao mundo mais de 3 mil crianças durante 60 anos de missões na África. O Papa a conheceu durante uma viagem à República Central Africana. Foto: AP Photo/Andrew Medichini

Como se deve cumprimentar um Papa? Por séculos, foi uma tradição católica beijar o pé do pontífice. Hoje em dia, muitos fiéis preferem curvar-se e beijar a mão que ostenta o anel papal.

Os católicos conservadores, que costumam acusam o atual Papa de se desviar da doutrina e da tradição da Igreja Católica, agora suspeitam que ele queira dar fim a este rito.

Um sinal disso seria um vídeo feito na última segunda-feira na cidade italiana de Loreto, em que o papa recolhe sua mão quando católicos tentam beijá-la.

Mas o vídeo que viralizou é apenas um trecho de uma gravação bem mais longa, que mostra uma história diferente.

    Pope Francis really doesn't want anyone kissing his ring.
    This from today, after Mass ... pic.twitter.com/CZUO8ppNfo
    — March 25, 2019

Imagens oficiais da TV do Vaticano mostram que Francisco passou 13 minutos em uma recepção, quando foi cumprimentado por ao menos 113 monges, freiras e paroquianos — individualmente ou em pares.

Ninguém dá qualquer instrução sobre como cumprimentá-lo. Durante os primeiros dez minutos, 14 pessoas apertaram a mão de Francisco sem se inclinar para beijar a mão, enquanto 41 pessoas se curvaram em direção às suas mãos e fizeram o gesto simbólico — e o Papa não protestou.

Nove pessoas foram ainda mais longe. Eles se curvaram e beijaram o anel e depois também abraçaram o papa. Um monge particularmente devoto superou todos os outros da fila de cumprimentos ao beijar ambas as mãos do papa.

Mas, após os primeiros dez minutos, o comportamento do Papa mudou. A fila de saudação pareceu se acelerar, e, durante 53 segundos, Francisco recolheu a mão quando 19 pessoas tentaram se curvar e beijar sua mão.

Um homem acabou beijando a própria mão depois que o Papa retirou a sua de repente. E é este trecho que tem sido amplamente compartilhado na internet.

Pode ser que o Papa estivesse com pressa de chegar ao final da fila de recepção — e deve ser ressaltado que, depois, ele ficou mais algum tempo cumprimentando pessoas, muitas delas em cadeiras de rodas, em frente à igreja.

Francisco pode até não gostar do "beija mão", mas não se pode dizer que ele rejeitou todos aqueles que tentaram fazer isso naquele dia.



O anel papal, usado no terceiro dedo da mão direita, é provavelmente o símbolo mais poderoso da autoridade de um pontífice. Assim que um Papa morre, a joia é imediatamente destruída para indicar o fim de seu papado.

Beijar um anel papal é um gesto que carrega em si séculos de significado político e religioso.

Em 1963, o então presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy (1917-1963), que era católico, optou deliberadamente por não beijar o anel do Papa Paulo VI quando se encontraram no Vaticano — por medo de dar munição aos críticos que diziam que um presidente católico seria sempre subserviente a Roma.

O atual Papa tem plena consciência do significado do gesto — e pode ser que pode ser que ele prefira fazer o contrário.

Durante uma visita a Jerusalém em maio de 2014, Francisco se esforçou para beijar a mão do líder da Igreja Ortodoxa, Bartolomeu I, como sinal de reconciliação entre os dois ramos do cristianismo. O líder ortodoxo tentou resistir, mas o embate amigável foi vencido pelo Papa.

Na mesma viagem, no Memorial do Holocausto de Israel, Francisco foi convidado a apertar a mão de sobreviventes do Holocausto. Para a surpresa dos presentes, ele se curvou e beijou suas mãos — um gesto que é ainda lembrado anos depois.

Fonte: G1
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